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Blog Sua vida

Você é rico e não sabia

Quem não se lembra de, quando pequeno, diante da birra para comer, ouvir da mãe: “Quantas crianças na África passando fome, e você aí, fazendo manha para comer”. Outro dia, estava no barbeiro esperando minha vez para cortar o cabelo, enquanto a TV mostrava uma reportagem sobre uma empresa japonesa que preparava “bentôs” (aquela espécie de marmita pronta) para crianças, decorando o prato de maneira divertida, com bichinhos e outras figuras convidativas. O comentário de um senhor, que também aguardava a sua vez, encerra de vez o assunto: “Se passassem fome, não precisava ficar decorando pratos”.

Quando falamos de riqueza, sempre pensamos na sua caricatura: uma cara à beira da piscina durante a semana, carros, iates, viagens incríveis. Curtir a vida sem preocupações financeiras de nenhuma espécie: esta talvez seja a definição de “ser rico” que está no imaginário das pessoas. A questão fundamental aqui é: quanto dinheiro seria necessário para “ser rico”?

Esta pergunta não tem resposta. E por um motivo simples: o ser humano é insaciável. Sempre vai achar que está faltando alguma coisa. É isto o que está por trás do raciocínio materno sobre as crianças da África: elas estariam absolutamente satisfeitas com o prato de comida que é normal para a criança da classe média. Se perguntadas, as mães africanas certamente se achariam ricas se, do dia para a noite, alcançassem o padrão de vida da classe média brasileira.

Faça um teste com você mesmo: tomar um cafezinho na rua, que custa entre R$ 2 e R$ 4 dependendo do lugar, é normal? Ou você encara este gasto como uma “ostentação”? Se você considera normal, saiba que você é rico para cerca de 95% da população brasileira. Para ser mais exato, pagar R$ 2 em um cafezinho representa 8% da renda diária de 22% da população, ou 6% da renda diária de 40% da população. Para somente 4% da população, este gasto representa menos de 0,5% da renda diária. Veja na calculadora Pirâmide de Renda no Brasil, quão rico você é em relação à população brasileira.

Por que estou insistindo neste ponto? Por um motivo simples: nossas “necessidades” sempre estarão além do nosso orçamento, qualquer que seja ele. É a tese que desenvolvo na Teoria do Gás: não importa o tamanho do seu orçamento, as suas necessidades sempre se expandirão a ponto de pressionar as paredes do recipiente. No caso, o seu orçamento.

Então, você sempre será rico do ponto de vista de alguém, e sempre será pobre (ou insuficientemente rico) do seu próprio ponto de vista. Tenha isso em mente da próxima vez que reclamar que o seu salário não chega ao final do mês.

Créditos do thumbnail: Free Digital Photos / vectorolie
 
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1 Comentário

  1. Algumas semanas atrás eu ouvi da minha mãe “se eu recebesse tanto quanto você, eu seria rica”. Sinceramente, eu não acho que ganho tão bem, apesar de sua calculadora dizer que ganho mais que 77% da população brasileira! 😉

    Mas, acredito que a afirmação da minha mãe seja a mais pura verdade. Ela ganha menos de um terço do que, dependendo dos reajustes que houveram desde a última vez que vi o contracheque dela pode ser que esta relação seja de 1/4!

    Porém, ela sempre foi extremamente conservadora e controlada. Enquanto eu sempre fui impulsivo, ansioso, “arrojado”. O que me faltou não foi informação, mas humildade e auto-controle.

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