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Vale a pena ser rico?

Já escrevi neste blog, para espanto de alguns, que não quero ser um milionário. Não vou entrar aqui nos argumentos, quem quiser dá uma olhada lá. O meu ponto de vista é o de uma pessoa que não é milionária. Tropecei em uma resposta do Quora, que é um site de perguntas e respostas, exatamente para esta questão: vale a pena ser rico?  E a resposta é de alguém que, efetivamente, havia se tornado milionária (milionária mesmo, US$ 15 milhões) aos 25 anos de idade. Trata-se de um outro ponto de vista, igualmente interessante. A seguir, faço a tradução da resposta. Boa leitura!

Eu ganhei US$ 15 milhões por volta de 25 anos de idade depois de ter vendido uma startup de tecnologia. Eu conversei com uma porção de gente sobre esta questão, e pensei um montão sobre como permanecer a mesma pessoa que eu era antes de ter feito tanto dinheiro.

Aqui está a minha resposta: ser rico é melhor que não ser, mas não é nem de perto tão bom quanto você imagina ser.

O porque é um pouco mais complicado.

Primeiro, uma das poucas coisas que ser rico te dá é que você não precisa nunca mais se preocupar com grana. Haverá ainda algumas despesas que você não poderá bancar (e que você desejará), mas grande parte das despesas você poderá fazer sem pensar muito no assunto. Isto definitivamente é melhor, sem dúvida.

Ser rico, no entanto, tem algumas desvantagens. A primeira coisa que você está pensando ao ler isto é “ele está chorando de barriga cheia”. Esta é uma das desvantagens. Você não poderá nunca mais reclamar de nada. Uma vez que a maioria das pessoas imagina que ser rico é atingir o nirvana, você não pode mais se permitir ter nenhuma necessidade humana ou frustração. Apesar de você ser ainda um ser humano, grande parte das pessoas não te tratam mais como um.

E aí está a segunda desvantagem. Grande parte das pessoas querem alguma coisa de você, e pode ser difícil descobrir se alguém está sendo legal com você porque simplesmente gosta de você, ou porque quer o seu dinheiro. Se você ainda não for casado, boa sorte ao tentar descobrir (e/ou fique para sempre na dúvida) se o seu/sua parceiro/a gosta de você ou do seu dinheiro.

E tem os amigos e a família. Espero que o seu relacionamento com eles não azede, mas vai ficar mais difícil. Tanto amigos quanto familiares podem se tornar estranhos, e começar a te tratar de maneira diferente. Eles podem te pedir um empréstimo (má ideia: se você der, dê sempre como um presente). Um problema comum é que eles não apreciam os presentes de Natal da mesma forma como gostavam antes, e eles podem ter expectativas irrealistas sobre o valor do presente, e podem ficar decepcionados se o presente não vai ao encontro de suas expectativas. Você começa a tomar decisões para os seus pais sobre o que custa e o que não, e francamente, isso é muito esquisito.

Some tudo isso e você começará a sentir uma certa sensação de isolamento.

Você algumas vezes perde o sono à noite, pensando se você tomou as decisões de investimento corretas, se você vai perder tudo. Sabe aquela sensação de estar no alto de um edifício, aquela sensação de que você pode perder a cabeça a qualquer momento e pular? Algumas vezes você tem a sensação de que pode perder a cabeça e gastar todo o dinheiro de uma vez.

A próxima coisa que você precisa entender sobre dinheiro é isso: todas as coisas que um dia você desejou comprar, valiam a pena somente porque você não conseguia comprá-las (ou tinha que trabalhar realmente pesado para comprá-las). Talvez você esteja de olho em um Audi – uma vez que você consegue comprá-lo facilmente, ele não significa muito para você agora.

Tudo é relativo, e seu poder sobre isso é limitado. Sim, o primeiro mês em que você dirige um Audi, ou janta em um restaurante chique, você realmente gosta. Mas depois você se acostuma. E então você se pega procurando a próxima coisa, o próximo nível. E o problema é que você reviu as suas expectativas, e tudo abaixo daquele nível não consegue te animar mais.

Isso acontece com qualquer um. Pessoas equilibradas podem manter a perspectiva, lutar ativamente contra isso, e permanecer estáveis. Pessoas com menos equilíbrio reclamam disso e começam a se comportar de maneira rude e agressiva. Mas, lembre-se: isso poderia acontecer com você, mesmo que você pense que não. Confie em mim.

A maior parte das pessoas têm a ilusão de que se tivessem mais dinheiro, suas vidas seriam melhores e seriam mais felizes. Então elas ficam ricas, e isso não acontece, levando a uma séria crise existencial.

Se você faz parte da classe média, você pode fazer com a sua vida o que você quiser fazer dela. Se você não está feliz agora, você não ficará feliz com mais dinheiro.

Uma observação final: esse texto tem tudo a ver com a minha Teoria do Gás: os seus gastos sempre tomarão conta de todo o seu orçamento, independentemente do seu tamanho. E você sempre sentirá falta de mais dinheiro, independentemente de quanto você tenha.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by stockimages
 
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5 Comentários

  1. Vitor disse:

    Nossa, eu nunca tinha pensando nisso.

    Bela analise sobre o dinheiro, nós vivemos em uma sociedade onde o dinheiro é muito importante e temos que reconhecer seu valor mas também temos que ter limite.

  2. Alex Rosa disse:

    Muito bom artigo Marcelo! Nada melhor do que alguém que vive a situação para expressar o que aconteceu.

    Por outro lado, acredito que a grande vantagem de se tornar independente financeiramente é a possibilidade de focar naquilo que realmente quer fazer na vida e não no que ela pode comprar.

    Abraços

    • Marcelo Guterman disse:

      Sem dúvida Alex, o dinheiro deve servir como um meio de realização, não um fim em si mesmo. Acho que o pulo do gato está em perceber que se não nos realizamos com o dinheiro que temos hoje, provavelmente não o faremos com mais dinheiro. Abraço e obrigado por sua colaboração!

  3. me disse:

    As palavras dela podem ser resumidas ao sentimento de solidão. Isso não se aplica só a dinheiro, mas a alta inteligência ou beleza.

    O que me parece é que nós (sim, eu me incluo) que falamos sobre o desapego a luxos (me parece que é isso que quis dizer?), que aceitamos uma vida relativamente simples, não odiamos nosso trabalho. Acordar diariamente para o trabalho não é peso para mim. Nas poucas vezes que isso aconteceu, notei que era ora de mudar de lugar para trabalhar, e foi o que sempre fiz. Coisa que não são todos que podem fazer. Nem todos exercem uma profissão que pague o suficiente para o mínimo, e que seja muito solicitada. A maioria precisou escolher entre ser duro, mas gostando do que faz, ou preferir ter as contas em dia, mas vender a alma. Nestas condições, não me surpreende que a maioria aceitaria serenamente a solidão das noites com a certeza que tudo está pago.

    • Marcelo Guterman disse:

      Certa vez, assisti uma palestra em que o sujeito disse algo que abriu os meus olhos: “se você não gosta do que está fazendo, e não tem outra alternativa, trate de gostar do que está fazendo!”. Então, é preciso descobrir a novidade na rotina, o desafio no dia-a-dia. Senão, a vida torna-se intolerável. Abraço e obrigado por sua colaboração!

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