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Blog Suas dívidas

Prefira os juros compostos trabalhando para você, não contra você!

Artigo no site JusBrasil (Donos de imóveis já quitados brigam na justiça contra saldo residual) traz à tona uma realidade amarga, que eu mesmo pensei que já não existisse no Brasil: o resíduo ao final da quitação de dívida imobiliária. Explico.

Em alguns contratos de financiamento imobiliário, era possível optar por uma cláusula que limitava o aumento das parcelas do pagamento ao índice de reajuste salarial do mutuário. Assim, ao invés da parcela ser reajustada pela TR ou qualquer outro índice, era reajustado pelo mesmo índice do reajuste salarial, de modo que a parcela do financiamento nunca aumentava mais do que o salário. Com a TR hoje correndo abaixo da inflação isso não seria um problema, mas a coisa não funcionava assim no passado, quando era comum haver reajustes salariais abaixo da TR. O resultado é que vários financiamentos que estão se encerrando hoje deixam para o mutuário uma dívida que pode equivaler a um segundo apartamento!

Não vou aqui entrar no mérito de quem é a culpa. Somente gostaria de alertar que não existe almoço de graça! Isso vale para apartamentos, automóveis ou quaisquer outros bens ou serviços. Se você está pagando algo muito abaixo do preço de mercado por uma mercadoria ou serviço, desconfie: o otário normalmente é você!

Outro ponto importante: o consumidor geralmente desconhece o poder dos juros compostos. Falei sobre esse assunto nos posts Juros Compostos: porque é justo? e Ainda sobre os juros compostos. No caso, apesar de todas as reclamações, as pessoas retratadas no artigo reconhecem que as parcelas estavam abaixo do que se poderia considerar “normal” neste mercado. Mesmo assim, todas levaram um susto com o tamanho da dívida a ser paga no final. Por que? Porque não entendem a dinâmica dos juros compostos, que fazem crescer investimentos e dívidas de maneira exponencial. A esse respeito, vou lembrar uma estorinha bastante singela, mas que demonstra o poder dos juros compostos.

Certa vez, um rei estava muito entediado, e resolveu promover um concurso, onde aquele que conseguisse criar um jogo que o agradasse seria premiado. Um camponês apresentou-se com o que conhecemos hoje como o jogo de xadrez. Aquele jogo agradou muito ao rei, que prometeu qualquer coisa que o camponês quisesse. O camponês pediu, humildemente, um grão de arroz pela primeira casa do tabuleiro, dois grãos pela segunda casa, quatro pela terceira, oito pela quarta, e assim por diante, até a 64a casa do tabuleiro.

Ora, o rei se espantou com a humildade da solicitação do camponês, que poderia ter pedido metade do seu reino. Pediu aos seus matemáticos que calculassem a quantidade de arroz necessária para atender ao humilde camponês. Pouco depois, os matemáticos voltaram desconcertados: nem todas as safras do reino em mil anos seriam suficientes para atender o pedido. Para explicar, mostraram ao rei o seguinte gráfico:

O Xadrez e o Arroz - linear

Cada ponto representa uma casa do tabuleiro: o primeiro tem um grão, o segundo, tem dois (soma: três), o terceiro tem quatro (soma: sete), e assim por diante. A soma de todos os grãos do tabuleiro totalizaria a incrível quantia de 18 quintilhões, 446 quatrilhões, 744 trilhões, 73 bilhões, 709 milhões e 600 mil grãos de arroz. Se cada grão pesasse, digamos, 0,02 gramas, teríamos aproximadamente 370 bilhões de toneladas de arroz! A produção mundial de arroz é de aproximadamente 480 milhões de toneladas. Portanto, seriam necessários cerca de 770 anos de produção nos atuais niveis para pagar o já não tão humilde camponês.

Certo, os financiamentos não costumam dobrar a dívida a cada ano. Mas a dinâmica é rigorosamente a mesma. Por isso, sempre prefira os juros compostos como seu amigo, não como seu inimigo.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by Boians Cho Joo Young
 

 

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