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Não se engane: saiba que você vai gastar mais

Viver custa. Tudo o que você decide fazer na vida vai te custar alguma coisa. A arte de viver dentro do orçamento está, em grande parte, em saber quanto vai custar o que você decidiu fazer. Desculpe-me se fui óbvio até aqui, mas é de propósito. As pessoas sabem disso, mas por algum mistério escondido nos meandros do cérebro, não aplicam esta sabedoria na sua vida diária.

Comecemos com um exemplo simples: almoçar ou jantar fora de casa. Esta decisão implica mais do que o valor da refeição em si. Entre colocar a chave na porta de casa para sair, e colocar novamente a chave na porta de casa na volta, há uma série de gastos além da refeição: o combustível para chegar no restaurante, o valor do estacionamento ou do valet, o risco de bater o carro no caminho do restaurante. Enfim, há uma série de gastos em torno do gasto principal, que normalmente são negligenciados na hora de se tomar a decisão de comer fora. É muito comum ouvirmos reclamações (quando não somos nós mesmos a reclamar) dos preços extorsivos dos restaurantes, estacionamentos e valets. No entanto, quando tomamos a decisão de comer fora, todos esses gastos vêm juntos em um “kit”. Inescapaveis. O melhor a fazer é assumir esses gastos como sendo parte da diversão, ou simplesmente não meter a chave na porta de casa para sair. Sair de casa para ter dor de cabeça com uma despesa inescapável é a mais idiota das decisões.

E por que somos idiotas a ponto de gastar dinheiro para ter dor de cabeça e, no final, arrepender-se? Simples: a nossa mente esconde as más notícias de nós mesmos quando estamos muito interessados em alguma coisa. Se jantar “naquele” restaurante tornou-se uma ideia fixa, não há raciocínio lógico que nos faça desistir. E normalmente racionalizamos da seguinte forma: “vai custar algo como R$ 100, acho que dá pra encarar”. E esquecemos todos os outros gastos em torno deste. Fora a inflação, que faz com que os preços nunca sejam aqueles que esperamos.

Outro exemplo clássico? Reforma de imóvel. É costume dizer que, se pretendemos gastar “x” em uma reforma, é bom orçar “3x”. Sabemos disso, mas normalmente não colocamos em prática. Resultado: orçamentos estourados e dívidas.

Colocar as crianças em uma escola mais cara é outro exemplo. Fazemos somente as contas da mensalidade, e esquecemos todo o resto: o material mais caro, os passeios para lugares mais caros, a pressão consumista dos coleguinhas mais abastados. Claro que sempre queremos o melhor para os nossos filhos, e fazemos qualquer sacrifício para isso. Mas até para que a paz familiar não seja abalada, é preciso colocar todas essas despesas extras na ponta do lápis antes de tomar a decisão de qual escola é a mais adequada.

Para terminar, quero deixar claro que não se trata de evitar fazer despesas a todo custo. Pelo contrário. Quando temos plena consciência de quanto custarão as nossas decisões, mais racionais elas serão, e menores serão as chances de arrependimento. A pior coisa é subestimar o custo total de uma decisão, e ficar com a consciência pesada por tê-la tomado. Ficamos no pior dos mundos: gastamos aquele dinheiro, e não temos prazer nenhum naquele gasto. É muito desgastante ficar medindo um dinheiro que, de uma forma ou de outra, precisa ser gasto. Faz parte do “kit”.

Gastar dinheiro não é problema. Gastar dinheiro sem planejamento, isso sim leva a decisões equivocadas.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos / sixninepixels
 
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