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Fundos x Tesouro Direto x VGBL: o que é melhor?

O leitor Leonel manda-me uma questão bastante pertinente:

Dr. Money,
Fiz uma aplicação de mais de R$ 400 mil no Brasilprev (taxa de administração de 1% – plano VGBL-RF – Regime tributário: Regressiva Definitiva) – tenho 68 anos, já estou aposentado, porem era um dinheiro que não pretendia usar por algum tempo.
Será que fiz um bom negocio?

A questão do Leonel envolve alguns aspectos importantes. Em primeiro lugar, o VGBL tem tributação regressiva. Ou seja, o IR é cobrado nas alíquotas de 35%, 30%, etc, até 10%, depois de 10 anos de aplicação. Se fosse na tributação progressiva, não seria possível responder à questão, pois a tributação é levada para a declaração anual, e a rentabilidade final dependerá de outros fatores, como a renda do investidor, os abatimentos, etc.

Em segundo lugar, é preciso comparar laranjas com laranjas. Assim, vamos considerar que a taxa de administração de 1% é a mesma para os três tipos de investimentos que vamos comparar. Isso nem sempre é verdade. Por exemplo, é muito comum que exista uma taxa de carregamento no VGBL. Ou seja, uma cobrança inicial, que afeta bastante a rentabilidade final do investidor. Assim como, de maneira geral, os custos do Tesouro Direto são menores do que os custos dos Fundos de Investimento e dos VGBLs. Em compensação, o Tesouro Direto tem alguma burocracia adicional. Para efeito de comparação, consideraremos a mesma taxa para os três tipos de investimento. Veremos depois que será possível calcular qual seria a diferença de taxa de administração aceitável entre esses diferentes tipos de investimento.

Um outro ponto importante para a comparação é que a rentabilidade dos investimentos antes da cobrança de despesas e impostos deve ser a mesma. Essa premissa é óbvia, e considera que o investidor está disposto a assumir um certo risco para obter um certo retorno, independentemente do instrumento utilizado. A forma mais fácil é considerar que os três renderão CDI. Portanto, estamos considerando um Fundo DI, um VGBL DI e uma LFT, no caso do Tesouro Direto.

Considerando, então, que temos as mesmas despesas e a mesma rentabilidade antes de impostos e despesas, a diferença se dá na tributação. Vejamos então como é a tributação desses três tipos de investimento:

Fundos e LFT: alíquotas de 22,5% até 6 meses, 20% até 1 ano, 17,5% até 18 meses e 15% a partir de 2 anos.

VGBL: alíquotas de 35% até 2 anos, 30% até 4 anos, 25% até 6 anos, 20% até 8 anos, 15% até 10 anos e 10% para mais de 10 anos de aplicação

Na figura a seguir, vamos ver o resultado para o Leonel, considerando taxa de juros de 12,75% ao ano, que é a SELIC atual (se você não conseguir enxergar os números, basta clicar na figura):

 

As três últimas colunas trazem a informação mais importante: que aplicação é a melhor. Para um semestre, tanto faz Fundo ou LFT, mas ambos são bem superiores ao VGBL (quase 1,5% ao ano de vantagem). Essa vantagem de ambos os investimentos sobre o PGBL vai aumentando até o terceiro semestre. A partir do quarto, começa a diminuir. Contra o Fundo de Investimento, o VGBL passa a ganhar a partir do 14o semestre, e contra a LFT, o VGBL somente começa a ganhar a partir do vigésimo semestre. Entre LFT e Fundo, a LFT é sempre vantajosa, pois não tem come-cotas. Este é o custo que você paga para não ter que enfrentar a burocracia do Tesouro Direto.

Respondendo ao Leonel: o VGBL só vale a pena, no mínimo, depois de 7 anos contra o Fundo de Investimento e depois de 10 anos contra a LFT. Como, provavelmente, você não estava pensando em ficar todo este tempo, talvez houvesse outras aplicações melhores. Sempre ressalvando que pode haver diferença de taxas e custos entre as diferentes modalidades, o que poderia mudar a conclusão.

Se você quiser a planilha acima para fazer suas próprias simulações, clique aqui.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos

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8 Comentários

  1. Tiago Balthazar disse:

    Um detalhe que é incrivelmente ignorado pela maioria dos investidores é esta: com qual finalidade/objetivo irei deixar meu capital aplicado?

    Com base nessa resposta, o leque de oportunidades já ficam mais reduzidos, pois se for um investimento de curto prazo, certamente, nem falaremos em previdência privada, modalidade que deve ser vista no longuíssimo prazo, cujos custos (pelo menos no Brasil) não são nada desprezíveis.

    Ótimo artigo, parabéns!

    • Marcelo Guterman disse:

      Tiago, é isso mesmo! O objetivo do investimento vem antes de tudo. A maioria dos investidores começa o processo pelo fim, perguntando “quanto rende” tal investimento, e esquecem esse “pequeno” detalhe.

  2. Kleber Rebouças disse:

    Você poderia colocar um gráfico ao invés da tabela. Ficaria melhor de visualizar.

    http://www.ricodinheiro.com.br

    • Marcelo Guterman disse:

      Kleber, excelente sugestão. A planilha já está atualizada, com os gráficos. Obrigado e abraço.

  3. Renan disse:

    Boa tarde Marcelo!
    Estou com dúvida entre PGBL e VGBL, voce possui planilha para comparativo da tributação e rendimento no tempo, tipo esta?

  4. Arnaldo disse:

    Análise muito bem feita, esclarecedora, isenta, precisa. Se o leitor também for isento de pré julgamentos, poderá utilizar a planilha a seu favor. Para cada momento de vida, prazo e objetivo, haverá um instrumento financeiro mais adequado. Apenas para reforçar a validade da matéria: com R$ 400 mil de aporte inicial, há opções de VGBL com isenção de carregamento, tarifas administrativas menores que 1% e estratégias um pouco mais voláteis porém mais adequadas a um prazo maior que dez anos (IMA-B5, IMA-B, IMA-B5+, …). Ou seja, com pesquisa, trabalho e estratégia, dá para aumentar o leque de produtos financeiros para efetuar uma comparação vantajosa ao investidor. Ou ainda, diversificar entre elas, reduzindo o risco de incerteza.

  5. José Henrique disse:

    É… Seu Leonel deve ter caído no papo do gerente do banco e rodado de forma bonita.

    Um brasilprev que fiz me cobrava 4% de taxa de carregamento. Seguindo isso, só na brincadeira ele já levou a facada de 16000 reais.

    A rentabilidade do BP dele vai depender de qual o fundo em que os recursos estão sendo aplicados. Isso, se ele não acordou com o gerente durante a contratação do plano, ainda é possível alterar. Mas, claro, que vai depender de quais são os planos disponíveis.

    E, coitado, ele diz que não tem previsão para o uso do dinheiro mas não acho que ele pretenda deixar o dinheiro no banco por 10 anos.

    O foda é que, agora que ele já sabe que não foi um bom negócio precisa esperar um período de carência (no meu caso, 6 meses) e uma taxa de IR elevadíssima sobre os rendimentos, além de já ter perdido grana com a taxa de carregamento.

    Mas a coisa pra ele ainda tem solução. Fiz umas contas rápidas aqui:

    Supondo que a taxa de carregamento seja de 4%, o dinheiro que ele tem que está rendendo é R$ 384000.

    Supondo que esses 384k vão render a taxa SELIC (12,75%) durante 1 ano, o valor bruto acumulado será de R$ 432960. Líquido (considerando IR de 35% sobre o rendimento) ele vai poder resgatar cerca de 405k. É um rendimento ridículo (1,35% em um ano) mas é melhor do que o custo de oportunidade de deixar o dinheiro lá no VGBL.

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