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Expectativa de vida e aposentadoria: comece a se preocupar

A expectativa de vida no Brasil ao nascer chegou a 73,5 anos em 2010 (aqui). Aumentou em quase 11 anos nas últimas três décadas! Estamos mais longevos e mais saudáveis. É preciso comemorar, sem dúvida.

Mas como toda notícia, há sempre duas formas de ver. O copo meio vazio, claro, refere-se ao problema de garantir aposentadoria digna para uma população que teima em viver mais. A idade da aposentadoria, a não ser pelo chamado Fator Previdenciário, não mudou nos últimos 30 anos. E, no entanto, na média, a população está vivendo mais. E a situação tende a piorar daqui a 30 anos. Não só porque a longevidade aumentará ainda mais, mas também porque a taxa de natalidade está recuando a olhos vistos, o que torna a carga para aqueles que financiam as aposentadorias ainda mais pesada.

– Mas, Guterman, a aposentadoria por idade é de 65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres. Ou seja, na média, os homens têm 8,5 anos e as mulheres 13,5 anos para curtir a sua aposentadoria. Não parece muito…

Pois é, as coisas nem sempre são como parecem. Vamos dar por barato que todos se aposentem por idade, apesar de sabermos que muitos se aposentam muito antes por tempo de serviço. Ocorre que a expectativa de vida acima é ao nascer. Uma vez atingindo a idade de 65 anos (homens) ou 60 anos (mulheres), a expectativa de vida é outra. O IBGE nos informa que, ao atingir 65 anos de idade, o homem, em média, pode esperar viver até os 81,4 anos. Já as mulheres, ao atingirem 60 anos de idade, têm a expectativa de viver até os 83 anos. Note que se trata de uma probabilidade condicional: só vale se você atingir os 65 ou 60 anos de idade, dependendo do seu gênero.

Pois bem, com esses números, a coisa ficou um pouco mais complicada: os homens têm pela frente, ao se aposentar, 16,4 anos de vida, enquanto as mulheres têm 23 anos de vida! Como o tempo de serviço é de, normalmente, 35 anos para o homem e 30 anos para a mulher, temos que o homem trabalha durante aproximadamente 2,1 vezes o tempo em que permanece aposentado, enquanto a mulher trabalha durante 1,3 vezes o tempo da sua aposentadoria. Considerando uma proporção de 50%/50% entre homens e mulheres na população economicamente ativa, na média o brasileiro trabalha 1,7 vezes o tempo em que permanece aposentado. Se conseguir poupar 10% do seu salário, obterá 65% do seu salário na aposentadoria (considerando juros reais de 6% ao ano durante a fase de acumulação e 3% ao ano na fase de aposentadoria – para fazer este cálculo, use a calculadora de aposentadoria, disponibilizada pelo Vigilantes). Portanto, não há possibilidade de aposentadoria integral nesses termos. Ou melhor, para os salários mais baixos, é até possível, mas não para os mais altos. Por isso a importância cada vez maior da aposentadoria complementar, aquela além do INSS.

Claro que todo esse raciocínio se baseia em médias. O seu caso específico pode se distanciar bastante deste exemplo. Mas o sistema previdenciário brasileiro como um todo não está muito distante da situação demonstrada por estas contas simples.

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5 Comentários

  1. Roberto Pina Rizzo disse:

    Por mais que se guarde dinheiro, vejo que um caminho é continuar trabalhando na velhice, ainda que em ritmo menor. Para isto, é preciso cuidar da saúde (não fumar e fazer alguma atividade física, por exemplo). Com isto, haverá mais energia. Além de ajudar a complementar a renda, a atividade na velhice será benéfica para a mente. Em suma: creio que eu nunca vá me aposentar, a não ser que fique realmente incapaz.

    Mas, onde trabalhar? Com o quê? Bom, com algo terá de ser. Algo mais nobre ou mais humilde, não importa.

  2. amarildo disse:

    gostaria de saber se o senhor da palestra sobre a apposentadoria. para pessoal que esta na expectativa de aposentar.. aguardo contato

  3. Maria do Carmo Sampaio Ferreira disse:

    Marcelo. faço 46 anos este ano. trabalhei 8 anos num escritório, e tenho 19 anos na educação, em sala de aula do ensino fundamental. será que falta muito pra que me aposente?

    • Marcelo Guterman disse:

      Maria do Carmo, não sou especialista no cálculo de tempo para aposentadoria, meu foco é nos investimentos. Sugiro que você compareça a um posto da Previdência, para que eles lhe forneçam os cálculos mais precisos, dado que as atividades de professora e de escritório envolvem tempos diferentes para a aposentadoria.

  4. Jônatas R. Silva disse:

    Ou economizamos para ter uma aposentadoria digna, ou viveremos uma velhice de restrições e lamentações.

    Abraço.

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